Nos três últimos dias tive uma overdose de Luis Buñuel, grande cineasta mexicano que tem seu nome associado às origens do cinema surrealista. Os filmes que assisti foram: Un Chien Andalou (1929), L’Age d’Or (1930), Los olvidados (1950) e Subida Al Cielo (1951). Minha maior expectativa era quanto ao primeiro; infelizmente, o curta metragem que tem Salvador Dali como roteirista não me agradou, assim como L’Age d’Or e Subida Al Cielo. Para comentar escolhi o que mais me agradou: Los olvidados, longa que rendeu a Buñuel o prêmio de melhor diretor no Festival de Cannes de 1951.
Logo na abertura o narrador anuncia o tom de denúncia da película, ao nos falar sobre a pobreza escondida nas grandes metrópoles, como a cidade do México, local onde é ambientada a história. Em um bairro pobre, nos é mostrado um grupo de garotos que conversa sobre “Jaibo”, jovem que tinha acabado de fugir do reformatório. O fugitivo se reúne com o grupo e, juntos, eles planejam assaltar um cego. Mais tarde, “Pedro” (um dos garotos) se junta a “Ojitos”, um menino que foi abandonado. Em certo momento, “Pedro” presencia um assassinato cometido por “Jaibo”, fato em torno do qual gira a obra.
O olhar pessismista e cruel de Buñuel me encantou com cenas como a do sonho de “Pedro” (para mim a melhor do filme), o assalto ao cego e várias outras que não direi para não estragar a surpresa. O longa revela a realidade da pobreza no México ao contrastar a população (“Pedro” em trabalho semi-escravo empurra um carrocel enquanto outra criança anda no brinquedo), mostrar a violência nas ruas e expor a covardia existente em cada um. Tecnicamente é possível notar um recurso que foi bastante utilizado em Los olvidados: algumas cenas as personagens vêm em direção à câmera e a atravessam (na parte em que as crianças brincam de toureiro, por exemplo - olhar o vídeo de 2:38 a 2:44).
Pretendo conhecer o resto da filmografia de Buñuel. Enquanto não a conheço, digo que o meu predileto do cineasta é Los olvidados. Durante 91 minutos me foi mostrado uma violenta sociedade onde ninguém é isento de culpa, fato que torna o filme realista. Excelente obra!


